Lá vem mega post, mas é o seguinte:
Algumas pessoas me perguntam qual estilo musical eu curto. A resposta é sempre a mesma: 'música boa'. Mas como isso é quase óbvio, tentarei agora explicar mais ou
menas quais são meus critérios:
1. Obras primas: músicas que reúnem pelo menos 6 dos quesitos abaixo.
2. Pegada: se a música tiver uma pegada pesada e pulsante (pegada não só de bateria, mas de tudo, inclusive de voz), já tô gostando. São raras as bandas que conseguem reunir peso e pulsação. Rage Against The Machine e Living Colour são duas delas - e, é óbvio, amo ambas.
3. Levada: se ao ouvir a música você sente vontade de dançar como se ninguém estivesse olhando, batucar nas pernas, imitar o som da bateria com a boca, praticar
air drum ou qualquer coisa que o valha, é sinal de que a levada agrada. Nesse quesito muitas músicas se encaixam, principalmente a produção dos anos 70. Ah sim, e que fique bem claro: axé music (vulgo música de mongol) não me dá
a menor vontade de fazer essas coisas, ok?
4. Produção, mixagem e timbragem: é claro que o tosco tem seu espaço, mas um som bem produzido, com uma mixagem escandalosa e/ou com uma puta timbragem dos instrumentos costuma agradar. No jazz e na música pop, Quincy Jones é quem comanda. Dos produtores de
entretenimento, o da Destiny's Child é fodão. Na música eletrônica, Roni Size é meu ídolo. Já no hip-hop, meu preferido é Mario Caldato (gênio) e dos brasucas curto Liminha, Chico Neves, Bid e Eumir Deodato (se bem que esse aí já é mais gringo que brasileiro). Mas atenção: nem sempre um bom produtor significa um bom produto. Como os melhores são muito requisitados - afinal, são os responsáveis pela cara do disco, os 'designers' do som - incluindo sua
radiofonicidade -, as vezes se vendem em demasia e o som fica comercialóide e chato demais. Ossos do ofício.
5. Melodia e harmonia: harmonias inteligentes e melodias bem desenhadas geralmente são o que fazem da música um
standard. Nesse ponto, maestro Tom, Chick Corea e os composistores de jazz, samba e chorinho, em geral, são os campeões. Algumas bandas de rock progressivo (especialmente Led e Rush) mandam muito bem também.
6. Hinos: não necessariamente de países ou de clubes, me refiro àquelas mega-babas que possuem a grandiosidade de um hino. Exemplos? We Are The Champions (Queen), Live And Let Die (Paul McCartney), Purple Rain (Prince), Como Nossos Pais (cantado pela Elis) e até mesmo Deslizes (Fagner). Adoro. É claro que todo hino tem um
q de breguice, mas nem toda música brega é um hino. Aliás, não mesmo, cruz credo.
7. Músicas que estão a frente de nosso tempo: produções inovadoras, vanguardistas, que causam muita estranheza (como o som do Primus e do TransAm) sempre terão seu espaço, desde que tenha conceito e seja bem tocado.
8. Maestria: mestres de algum instrumento como Jaco, Hendrix, Van Halen e Dennis Chambers sempre me enchem os ouvidos de lágrimas.
9. Letra e voz: confesso que isso é o que menos me importa. Podem me xingar, me chamar de iletrado e o escambau, mas a verdade é que se eu souber a letra de umas 10 músicas de cór, é muito. Mas é claro, existem músicas que a poesia é literalmente tudo (Arnaldo Antunes que o diga) e, em algumas outras - como as do Chico, Tom e Vinícius -, a letra não tem como passar em branco. Da mesma forma, é impossivel não reparar nas vozes de Elis, Sarah Vaughan, Ed Motta, entre outros. Mas não é a primeira coisa que me atrai, no geral sempre reparo no instrumental antes de tudo. Coisa de músico que cisma em 'separar os canais' ao curtir um som.
A fórmula é a seguinte (eu acho): tem que ter pelo menos uns dois desses quesitos, ou então ser irretocável em um deles. Sacou?
Exceções sempre existirão (exemplos: U2 possui várias das características citadas e acho um saco, assim como o Rei Robertão, que não possui nenhuma e eu adoro), mas acho que agora ficou mais claro por que é que eu não gosto de Ramones, Marisa Monte, Engenheiros do Hawaii, e música bahiana e sertaneja em geral.