Chacundum é um blog em dolby-stérico de Cláudio Reston, designer-músico e sócio da Visorama Diversões Eletrônicas.

9 de nov de 2002



Fly by night, away from here
Change my life again!


Contagem regressiva: faltam só duas semanas!
Dercy Gonçalves em pleno Teleton: "Torci o pé hoje e quase me dano. Velho aleijado é uma merda."

Ô finesse...
Assumo: o último disco do Foo Fighters está uma cacetada.

Pelo que entendi da entrevista concedida à MTV, a banda o gravou quase que "no pau" - plugaram os instrumentos à mesa, soltaram o REC, contaram 3, 4 e foram nessa. Imagino que devem ter rolado correções e algumas inserções (não muitas) de elementos de produção depois, mas ainda assim o resultado não podia ser diferente: um disco que capta a essência visceral do rock tocado "ao vivo", como nos velhos tempos, e não aquela coisa fria de gravar bateria com voz guia, para depois incluir os instrumentos separadamente.

All My Life, música que está tocando direto nas rádios é uma boa prova disso. Bom demais.

Fica a impressão de que os caras estão se tornando referência para muitos músicos de todas as vertentes, como aconteceu com as grandes bandas de rock dos anos 70. E só me resta aplaudir de pé.

7 de nov de 2002

Confesso: estou viciado em petit gateau, brownie e sorvete de creme. Desse jeito não há regime que dê certo.
Querem livro de receitas light, querem?
Meu Deus, quanta asneira...

Eu sei exatamente que vinheta é essa. E se o autor da ID, ao confeccioná-la tivesse elocubrado isso tudo que esses advogados encontraram, seria um gênio.

A galera não relaxa mesmo...

5 de nov de 2002

Haroldinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno!
Celebremos!



(clique na imagem para ampliar o miniposter)
Aliás, estranho é as pessoas se chocarem com Cidade de Deus e não se chocarem com O Invasor. Porque bandidagem por bandidagem, favela por favela, polícia corrupta por polícia corrupta e briga por poder por briga por poder, O Invasor também tem, e muito. Só não fizeram esse alarde todo, nunca foi anunciado como um filme que quer trazer a tona uma serie de questões sociais. Questões essas presentes nos dois, só que de forma, momento e localização geográfica diferentes.
E por falar em tráfico, finalmente assisti ao tão aclamado Cidade de Deus.

Adorei. Câmera nota 10, trilha sonora excelente, atores impecáveis, roteiro inteligente e uma boa edição... e é isso. É um puta filme bem feito, muito acima da média do cinema nacional.

Se fiquei chocado, barbarizado ou querendo me mudar desse sistema solar? Absolutamente. Apesar de abordar as questões do tráfico e da bandidagem - principalmente as origens do crime organizado -, o filme é quase frívolo. Com exceção de umas 3 cenas mais impactantes (que não foram tão impactantes de tanto que a mídia já divulgou-as), deu até para dar umas boas risadas, principalmente por causa do linguajar desbocado e carioca dos personagens.

E se chocar era a intenção do diretor, sinto informar que falhou em sua missão. Quem assistiu Pixote, Pra Frente Brasil ou até mesmo Central do Brasil, sabe do que estou falando. Aliás, depois de Ônibus 174 - ali sim, a vida como ela é, sem maquiagens ou hihihis-hohohos -, acho que poucas coisas me deixarão atônito.

Se tivermos mais Cidades de Deus e menos Avassaladoras, estaremos fazendo cinema de gente grande. Cinema de qualidade e, acima de tudo, com conteúdo.

E chega desse blá blá blá intelectualóide que a imprensa fez com tanta veemência. Isso é chato pacas.

4 de nov de 2002

"Combater à força é bobagem. O tráfico se tornou a oportunidade de emprego de muitas pessoas. É decorrente dos problemas socioeconômicos do país. Eu defendo a descriminalização das drogas. (...)"

"Cadeia não é solução. Nunca foi, nunca será. Presídios imensos são construídos com custo fabuloso, em vez de escolas. Manter a população carcerária é muito caro para o Estado. Tenho 70 anos de advocacia. Nunca vi alguém sair da cadeia melhor do que quando entrou. Cadeia é a coisa mais infame que já se inventou. E ainda cria uma situação de marginalização permanente.(...)"

"Sou absolutamente contra a prisão como método penal. Deve-se segregar quem for realmente perigoso, quem põe em risco a vida alheia. Hoje a concepção é tão diferente que me assombra. Não se julga um crime, se julga uma pessoa. (...)"

"Como conceber que homens como Bill Gates tenham mais de US$ 60 bilhões? O que ele vai fazer disso? Ele vai morrer, como toda criatura, sem conseguir gastar a maior parte. Enquanto isso, milhões de pessoas passam fome no mundo. É uma distorção, me surpreende que as pessoas não se choquem com isso. (...)"

Se o Evandro Lins e Silva, no auge dos seus 90 anos tá dizendo, quem sou eu pra discordar.

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