Chacundum é um blog em dolby-stérico de Cláudio Reston, designer-músico e sócio da Visorama Diversões Eletrônicas.

15 de nov de 2001

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha falsa e demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as hitórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Paságarda tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que quero
na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada.

Manuel Bandeira

Tô indo. Volto dia 26.
Definitvamente, eu odeio comida à quilo. Primeiro porque tudo tem uma cara ótima, mas um gosto de merda. Segundo porque você fica perdidinho em meio a tanta opção e acaba fazendo uma lambança gastronômica, misturando frango, bolinho de carne, talharim, batata frita, arroz à piemontesa, picanha e empadinha. E terceiro porque odeio comer por amostragem.

Viva o serviço a la carte.
Mestre Jean bloga poesias, é ídolo da Gisele e curte um chacundum.
Bonzão. Só torta de limão com massa de biscoito da mamãe salva.

14 de nov de 2001

Quer ver a Cidade Maravilhosa (e outras muito maravilhosas) via satélite? Clica aqui, bonitão(ona).
Quando você sai pra comprar uma calça e o vendedor diz que 'o seu número, só sob encomenda', e a única camisa que ele encontra pro seu tamanho faz com que fique parecendo um rei havaiano, está na hora de começar a fazer um regime.
É por isso que eu odeio os dias e adoro as noites.

Outra pérola que acabo de encontrar. Lista com todas as gravações de Charlie Parker.
Vou chorar.

De todas as coisas que eu já vi na internet, acho que poucas me emocionaram tanto quanto a que eu acabo de encontrar.

Isso mesmo! The Real Book, volumes 1, 2 e 3, em suas versões originais, da época em que eram manuscritos e (até onde eu sei) royaltie free.

Para os desavisados: o Real Book é uma espécie de livro sagrado dos músicos, especialmente dos amantes de jazz. Nele você encontra as partituras de quase todos os standards, com direito às cifras e, em alguns casos, às linhas de baixo. É livro de cabeceira dos músicos de jazz, principalmente dos estudantes daquela famosa universidade americana. Algumas partituras contêm erros, mas ainda assim não existe jam sem Real Book.

Há uns 15 anos era muito difícil de ser encontrado, pelo menos aqui no Brasil. Então passava de mão em mão, de xerox em xerox. Afinal, ter um Real Book era um fetiche, objeto de desejo de qualquer músico. O tratavam com tanto respeito que era sempre encadernado da mesma maneira: uma espiral gigante de plástico (daquelas de garras, saca?) e uma sobrecapa de plástico azul. Podreira total. E mesmo assim era lindo.

Uma vez o vi vendendo na Sam Ash, em Nova Iorque, seguindo os mesmos padrões de encadernação. Por isso sempre fiquei na dúvida se era mesmo royaltie free, ou se a pirataria rolava solta. Se alguem souber, por favor, e-mail-me.

Mais tarde ele foi lançado por algumas editoras com nomes parecidos, mas mantendo a mesma idéia: The New Real Book, The Fake Book, etc. Mas confesso que nunca vi muita graça. Não têm o mesmo charme daquelas folhas gastas que viviam soltando, nem daquele logo (clássico!) feito à mão, muito menos das partituras manuscritas - nesses, elas foram diagramadas e editoradas no computador. É limpinho demais.

Esse é o verdadeiro livro. Uma salva de palmas para ele!
Da série 'meus standards prediletos': All The Things You Are' (Jamerstein / Kern).

Se não sabe qual versão escolher, recomendo a gravada por Keith Jarret.

11 de nov de 2001

Genial. Cada vez melhor.
Tá sem saco de ir à padaria? Fica aqui a dica culinária da vovó:

Manja aquele pãozinho francês que está há dois dias no cesto? Pois bem.

Umedeça-os com água (pode ser com leite também). Não é pra encharcar, é só pra dar uma leve umedecida. Em seguida coloque-os no forninho, virando-os sempre, sem deixar queimar. Só pra dar uma ligeira tostada.

Fica uma delícia. Parece que acabaram de sair da panificação.

Agora, dica culinária de Haroldinho: tenha sempre no congelador um estoque de carpaccio. É o acompanhamento ideal para os pãezinhos!
Momentos de ouro de um domingo legal (parte 2):

Sílvio Santos pergunta: 'Qual é a música?'
Uma moça da platéia responde: 'É o Boi.'
Ele devolve: 'Eu não sou boi coisa nenhuma, você que é uma VACA!'

Sem trocadilhos, o sujeito é um cavalo.
Momentos de ouro de um domingo legal (parte 1):

Silvio Santos pergunta: 'a melancia é originária de qual continente?'

Respostas:

- 'México!'
- 'Estados Unidos!'
- 'Japão!'
- 'Argentina!'

Ele repete: 'de qual continente?'

De novo:

- 'Austrália!'
- 'França!'
- 'Peru!'

Eu sei que é feio rir da ignorância alheia, mas o Sílvio me diverte.
"Jogo é jogo, treino é treino".

JURA ???

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