Chacundum é um blog em dolby-stérico de Cláudio Reston, designer-músico e sócio da Visorama Diversões Eletrônicas.

12 de jan de 2002

A despeito de muitas críticas negativas ao show do Vernon Reid, registro aqui minha opinião: FOI BOM PARA CARALHO.

O Vernon tava deslocado? Sim, um pouco. O Romero engoliu o Vernon? Talvez. Tava pouco ensaiado? Bem provável. Mas nada disso abalou, ainda assim achei um showzaço.

De um lado a técnica, a leveza e as notas bem colocadas de Romero, que revezava entre o violão e a guitarra, em alguns momentos ativando um dispositivo MIDI recheado de Hammonds e synths analógicos. Do outro, o lado mobral e visceral da brincadeira, a prova de que Hendrix vive, a voracidade de Vernon Reid. Eu amo essa cara tocando, seus solos são esporrentos, quase que chutados (as vezes parece lascar toda e qualquer nota que vê na frente e foda-se), mas ao mesmo tempo de um feeling incrível, que tocam no fundo da alma e fazem você se sentir o primeiro dos mortais. Confesso: passei o show inteiro com um sorriso de orelha a orelha, tamanha era minha satisfação em ver esses caras tocando (ainda mais depois de umas caipirinhas).

Aliás, não só esses dois: Arthur Maia é o melhor baixista brasileiro, e um dos melhores que o mundo já teve, definitivamente. Sua versatilidade, técnica e personalidade são algo sério. O Muzz era fodão, mas quando saiu do Living, deveriam ter chamado o Arthur (nada contra Doug Wimbish, mas prefiro nosso brasuca). Seu único problema, que me deixa maluco por sinal, é que ele não consegue timbrar a porra do instrumento. Já vi o cara usando tudo que é tipo de equipamento, mas nunca ouvi uma timbragem decente. Não sei se é falta de saco ou de conhecimento - na segunda hipótese, nada que um intensivo com Miller não resolva.

Quanto ao Carlos Bala (ou Charles Candy, como camarada Ez apelidou), nunca curti muito sua pegada, mas ontem fez bonito. Talvez falte um pouco de atitude, de peso em seu toque, mas aí é questão de gosto mesmo. Ainda assim não deixou nada a dever a nenhum dos outros 3.

A dinâmica do show foi jóia. Começou pianíssimo, foi crescendo aos poucos, alternando temas de Romero e de Arthur, alguns blues, umas piadinhas de músico (sabe qual é?), uma citação a Tutu e culminando com um tema de Vernon, fechando com chave de ouro.

Se eu fosse você corria lá no Mistura e garantia seu ingresso, pois valeu cada décimo de centavo. Um encontro desses talvez só daqui a 10 anos. A não ser que o Vernon seja contaminado por aquilo que chamamos de 'Maldição do Mistura Fina' - se tocou uma vez, toca todo ano.

Tomara!

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