Chacundum é um blog em dolby-stérico de Cláudio Reston, designer-músico e sócio da Visorama Diversões Eletrônicas.

8 de jan de 2002

Hoje eu tô que é puro saudosismo. Deve ser a lua minguante, boa para ir ao cabeleleiro.

Saca só, uma coisa é:
'Pegar carona nessa cauda de cometa
Pela via-láctea, estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde numa nebulosa
Voltar pra casa no nosso lindo balão azul
.

Outra coisa é:
'Ilari lariê ô ô ô
Ilari lariê, ô ô ô
Ilari lariê, ô ô ô
É a turma da Xuxa que vai dando o seu alô
.'

E oooooooooutra coisa é:
'É bunito demais!
Pau que nasce torto, nunca se endireita
Menina que requebra, mai'
pega na cabeça
.'

É um puta lugar comum isso o que eu vou dizer, mas é impressionante como as músicas infantis (ou pelo menos, as músicas que as crianças ouvem) embarcaram numa descendente sinistra a partir do final dos anos 80.

Não é aquele papo de 'que saudades dos velhos tempos' não, é que antigamente a produção musical infantil era coisa séria. Vinícius de Moraes, Toquinho, Guilherme Arantes, Raul Seixas, entre tantos outros, produziram verdadeiras obras primas no início da década de 80, como a Arca de Noé (em dois volumes), Plunct Plact Zoom e o Balão Mágico. Arrisco a dizer que essa foi a época mais iluminada de todos os tempos, no que diz respeito a músicas infantis.

Depois meu amigo, a coisa começou a ficar esquisita. Vieram os Sullivan e Massadas da vida... até aí tudo bem, ainda dava pra encarar. Então veio Cid Guerreiro, aquele vocalista do Yahoo... aí desandou de vez. Fechou a tampa dos anos 90 com Cumpadi Washington, Jacaré e Carla Peres. E agora, o que esperar dos anos 00?

Socorro, dá desgosto só de pensar.

Mas voltando as coisas boas: Guilherme Arantes foi de uma tremenda felicidade ao compor Nosso Lindo Balão Azul, tema do especial Pirlimpimpim, assim como Super Fantástico, tema de abertura do saudoso Balão Mágico, dos tempos em que Simony só sentava no colo do Fofão. A letra é jóia, o conjunto melodia-harmonia é bem construído pacas e o arranjo é fora de série - cheio de pianos, teclados e efeitos especiais, breguíssimos, mas que dão à música ares de hino. Quisera eu que meus futuros filhos pudessem desfrutar de pérolas como essa em sua infância, assim como eu tive a felicidade de desfrutar.

Mas pelo visto, né... vai ser difícil.

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